Todos os visitantes de uma primeira vez em Novo Hamburgo, aquela
da capital do calçado, estariam convencidos, em pouco tempo, ter encontrado o
Eldorado.
Cidadezinha simpática, gente feliz, organizada, limpa (sim, até as pessoas eram limpinhas), segura e próspera. Investir aqui era a
certeza de retorno a curto prazo.
Passados os anos, e se instalou o projeto “venha conhecer antes
que acabe”. Aquela Novo Hamburgo se desfigurou, ficou insalubre, fétida e
miserável. Irreconhecível. Em menos de uma década os planos do PT de Tarcisio e
Lauermann( o Luis), ergueram o “muro da vergonha moral” (e sem banho)
A cidade antes vigorosa, abundante, prostrou-se. Virou um
rascunho de Berlim Oriental dos anos 90.
Visitar essa província com mania de metrópole hoje, é uma
experiência um tanto dura. Para não dizer revoltante e nauseabunda, mas uma
experiência afinal. Muito distante do que a cidade vendia de si mesma.
Apresentada sob uma ótica míope de ter se tornado “alternativa com um toque de
descuido casual”, seu encanto se embretou numa “xexelência” de pichações,
violência, corrupção, propina, mendicância, ruínas históricas e entulhos
morais.
Tudo bem ao estilo e um bom exemplo das mudanças sofridas pela
paisagem berlinense desde a queda do Muro.
Uma visitação a “Sala de Exposição Decadente” onde os “curadores”,
(eleitores, comunidade, administradores, sociedade e “intelectuais”
especialistas, empresários falidos), transitam com cara de “mamãe, peidei na
festa” e com um cálice de hipocrisia nas mãos ornadas de jóias penhoradas e
esmaltes baratos descascados, em brindes, tilintando falsidade.
Em exibição: A Radiografia do Caos.
Como chegaram a isso?
Negligência? Incompetência?
Nenhum, nem outro, isoladamente.
Arrogância!
Permitiram sucumbir e colocaram “forasteiros” na cadeira de
gerente, mas nunca admitiram ter responsabilidades sobre “os destroços do
desastre” sem precedentes.
Ergueram um “muro imaginário” ao redor de si afim de se proteger
e blindar-se da destruição que esfarelou a cidadela. Não acreditavam ser
atingidos violentamente através dos espelhos e seu reflexos.
Ao decidir que precisariam de “mudanças” ou nada lhes sobraria
senão o aroma ácido da derrocada, planejaram e executaram um plano com cara de “vou
peidar de novo” sobre uma realidade distante, turvada, embaçada. A própria
realidade. Se borraram perna abaixo. O estrago já estava instalado e evoluído.
Lhes restava "desfilar" apenas uma mediocridade passiva.
Modelitos com cheiro ázimo e perfumes vencidos retomaram a cena
e o “glamour” que nunca tiveram enrosca-se na demência circense pouco ou nada criativa.
Agora as “peças” da exposição de um beco decadente berlinense são eles
próprios. São seus os “retratos dos horrores”. São sua as “caricaturas”
pichadas nos muros, são suas as fezes esparramadas pelas calçadas, são seus os
cheiros fétidos e repugnantes dos imundos jogados pelas vielas.
São suas as digitais marcadas pela cidade doente que ora agoniza
em fase terminal.
É você o autor dessa espetaculização da mediocridade.
Berlim é aqui... Ou Havana, ou Caracas...
- Eis Novo Hamburgo, O Gueto.
A cidade que é a sua cara!

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